Visita a Paulo Leminski

Tuti Maioli
Neto

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   Pois é. Vai lá mais uma Paulete. Não podia ficar sem esta. 0 caso é o seguinte:
Quando a gente fazia Universidade, digo, Zé Buffo Filho, Yamagami, Kako Machado, Kim Alves, Homero Carvalho, Puppi, isto nos anos 74, estava rolando o "Correio de Notícias", com Reynaldo Jardim , que fazia um suplemento bonito prá cacete, talvez graficamente o mais mais. O Paulo  Leminski tinha uma coluna no jornal, que geralmente ficava exposta na rua, e eu lia, antes de ir  prá Universidade na General Carneiro. Teve um dia que ele falava de um quarto no Hospital, e  depois fiquei sabendo que seu filho estava internado ali, com uma doença rara. Quer dizer: ele   continuava a escrever, mesmo no meio da dor. Fiquei antenado com isto. Daí um dia, deu na touca, peguei seu endereço e fui parar na sua casa, na Cruz do Pilarzinho. Falamos, falamos, ele me mostrou umas músicas, e no final, saí de lá carregado de livros que ele me deu. Fizemos uma coletânea chamada "tatotau", em referência ao nome "catatau", que era um livro seu. E na época, tinha Rettamozzo e Alice Ruiz que a gente também frequentava. Eram nossas referências,  porque eram pessoas com quem a gente podia falar nos bares, em casa, na rua. Eram próximos. Porque tinha o Dalton, o Trevizan, que era já na época, um monumento. Inacessível. Paralelamente, tinha Chacal, Ana Cristina César, Ledusha, que eu me ligava particularmente, Wally Salomão na Cinemateca da Fundação. Agora, o Paulo, eu lia, li e vou continuar lendo. Podem me chamar de "Paulete". Macaco de auditório. Sinto-me privilegiado de ter podido conviver com ele. O resto, são bobagens, como por exemplo, de ficar localizando as contaminações leminskianas nas nossas poesias. Ele nos deu toques, sem ser "didático". E tinha o lance dele incentivar a rapaziada a criar.
E isto importa mais que qualquer crítica. Criar. E penso que a moçada tá presente. Dá prá ver pela existência das revistas : Medusa, Babel, Inimigo Rumor, Agulha, Metaxy, Poesia para Todos, Tanto,Revista A, Jornal de Poesia, A Cigarra, e tantas outras. A resposta a todas estas pauladas , a mais eficaz, é que a rapeize continua criando. Que os deuses protejam esta juventura.

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Tuti Maioli Neto nasceu em Jacarezinho, Paraná. Está na Europa desde 88, primeiro Suíça, alemã e italiana, e em 90, Itália, sempre na Lombardia. É jornalista, poeta e fotógrafo.Traduziu algumas poesias de Paulo Leminski pra  revista italiana  "mayakovski".

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