Resenha Crítica

 reproduçao
                                                                       reproduçao

 

"O MUNDO DE SOFIA" - UMA CONCEPÇÃO DIALÉTICA

*Sérgio Nunes de Jesus

"Apesar de ter nascida na tentativa de uma concepção" destinada e obstinada de chegar a um conhecimento do real, Bertrand Russell, evidencia sua acepção no desejo de encontrar a explicação para a própria existência e a existência do mundo circundante, já que as antigas concepções míticas expressavam-se por meio de elementos, estando assim na origem da filosofia como tentativa de discernir os princípios e fundamentos subjacentes à realidade aparentemente caótica".

 

Não obstante, é com neste "pré - suposto" fragmento, que, ora faz-se necessário analisar uma obra puramente filosófica e de extrema importância como o "O Mundo de Sofia", onde o autor apoiasse de maneira clara e precisa num aspecto histórico o qual sua personagem em evidência, passa por determinados acontecimentos no período do seu aniversário. Assim, no desenrolar dos fatos, dar-se-á sobre um certo "bilhete" que estivera escrito uma estranha pergunta: "quem é você?"; a partir daí, a problematização do questionamento torna-se uma constante incógnita, do estranho bilhete em questão, que por sua vez, todos os feitos sobrecarregarão sobre a mesma. Com isso, o engendramento dos fatos farão com que o romance desenvolva-se em pontos de vista diferenciados a um intuito de uma realização de empreendimento para o leitor, o qual a existência dessa ligação, refere-se de uma linguagem afetiva e entusiasmada pela forma de comunicação que contagia a cada momento da difusão da narrativa.
Dentro dessa visão, são abordadas várias representações e concepções intelectuais as quais, o valor do juízo é desenvolvido sob conceitos lógicos e de máxima acepção inicial da civilização. O leitor por sua vez, compartilha da inteireza em sua realidade através da origem e do sentido da existência do bom senso e da prudência moral filosófica transcrita na obra.
A evidência percorrida dos fatos abrange os conhecimentos fundamentados sob uma disposição de organização social, embora obscuro, são abordados numa seqüência de ensinamentos de uma experiência que é guiada para a conduta lógica, onde a "personagem" recebe em forma de "cartas" ou de "entendimentos" sobre suas ações que ora evolve as pessoas e as coisas no romance e fora dele, ou seja, o leitor.
O autor por sua vez, deixa sem qualquer evidência os auxílios que possam encadear determinadas ações para que o romance torne-se mais acessível e agradável, ora o mesmo tenha um cunho específico e difícil de ser compreendido por algumas vezes, a sua existência de domínio "varia" no que cerne as idéias que se entrelaçam de forma genérica. Porém, a base do divertimento da personagem "Sofia", hegemoniza aleatoriamente um grau de facilidade dentro desse universo de "dogmas" sobre "Demócrito". Por deveras, criador da teoria do "atomismo", que recuperou a importância da virtude na interpretação mecanicista no mundo, surgida no séc. XVII, sob fortes influências no contexto dos filósofos "pré-socráticos" que, eram preocupados, sobretudo com a descoberta do "arké" ou princípio gerador das coisas. Sobretudo, Demócrito considerou que toda a realidade compunha-se de dois elementos únicos: onde o "vácuo ou não-ser" e os átomos, deixando a sensação dos argumentos como uma explicação totalmente material e mecanicista no mundo.
Portanto, sua ética é ante de tudo a "prática" que se encaminha para o bem comum. Pois, o homem deve aspirar à "epitima" ou seja, a "tranqüilidade" de espírito, assim, livre de temores e emoções, tendo em sua busca precisa a garantia por leis justas de convivência.
Após essa alusão filosófica, tanto a personagem "Sofia" quanto o leitor, passam a um entendimento mais específico e direto quando a mesma, agora com uma "fita de vídeo", faz uma viagem "intelectual", direcionada a Grécia antiga, onde os ensinamentos "platônicos" melhoram ainda mais a visão filosófica, pois, sua preocupação aos "conhecimentos das verdades essenciais", atraem os princípios éticos que ora fora abordado por "Demócrito", norteando assim, o mundo social.
A certeza dos ensinamentos da razão, "filosofia", são lapidados no dia-a-dia do contexto da história para com a personagem. Onde a individualidade e a presença dos "postais" caracterizam-se num "enigma" que é cada vez mais marcante na história.
Vê-se também, determinados aspectos que são percebidos em outros personagens como: "Hilde", que deixa bem claro estar a par das ações de "Sofia" e de seu professor. Entretanto, as visões paralelas entre ambos, são engendradas na história cada vez mais, pois, os conteúdos têm uma cadeia lógica sempre direta, à medida que é abordado pelo professor. Que, por conseguinte, a explicitação final na aula sobre "Berkeley", são abordados os princípios: "Ser é perceber ou ser percebido", deixando bem claro a afirmação sintética na filosofia do "imaterialismo" do mesmo, para quem os objetivos ficaram como "feixes" de qualidades sensíveis e assim apreendidos pelo espírito, num processo que garante sua objetivação, consistindo na negação da matéria, denominando um "novo princípio". Embora nunca tenha negado a existência dos objetos, de fato eles existam, mas somente na condição de objetos percebidos. O que se nega é a substância material, já atingida por um processo de crítica que prolonga a negação das qualidades de existência independente do perceptor que as apreende. No entanto, a necessidade da existência do espírito absoluto pelo "fato" de que as coisas "sensíveis" devem ser percebidas por ele, sem o que elas desaparecessem. Chegando assim, ao "clímax literal", pois, o presente que fora encadeado durante todo o romance, chega a seu destino, ou seja, as mãos de Hilde, o assim referido "O Mundo de Sofia", que por sua vez, acaba, desvendando uma imagem latente sobre a sua razão misteriosa ao especulador da obra, o leitor, por qual meditará sobre o raciocínio lógico da razão filosófica, pois, a partir dali, deixa bem direcionado uma nova abordagem evidente no contexto social em avultado a crítica filosófica.
Agora, delimitando sobre um ponto de vista puramente sibilar a todo o momento nos procedimentos filosóficos, observa-se um pulular de preceitos e anseios que propugnam dentro da obra "O Mundo de Sofia", que delimita uma visão altamente epistêmica inserida no caminho histórico da própria filosofia, bem como o desenvolvimento do valor do juízo, compartilhado através da sua origem com "Demócrito" e os princípios de "Berkeley" que abordou a negação como existência do espírito absoluto, pelo "fato" que as coisas sensíveis devem ser percebidas por alguém sem que desapareçam. Tendo assim, um liminar especial envolvendo "entretenimento" filosófico na história da Antigüidade, deixando um "clima" de curiosidades nos capítulos seguintes. Embora a obra tenha um cunho de alta-existência na "razão da filosofia", fazendo-se necessário alguns estudos prévios para a compreensão do mesmo com mais clareza acerca dos "ensaios" filosóficos.
Esse estudo é basicamente direcionado a todos aqueles que de uma forma ou de outra, vêem a linguagem filosófica como uma "porta de escape" para as soluções emergentes na sociedade. Logo, torna-se interessante a sua leitura que é envolvida num aspecto compreensivo onde, "o que estar por vir", recria determinados aspectos de suspense e mistério. Ainda que, não houvesse ilustrações na obra, ela traz características básicas para o empreendimento das partes em cada seqüência lógica que ora fora bem preparado sistematicamente como uma ‘quimera’ epistemológica, tornando-a útil para quem for lê-lo.
Por conseguinte, a obra embora contenha características filosóficas, não faz menção de referência a nenhuma outra do gênero, tornando-se "única" em caráter de "romance" que, deixa o leitor envolvido a todo instante das ações "literais" que são abordadas pelo autor, dando um "tom" de especial e criativo nesse "mundo da razão filosófica", explicitada de forma congruente do início ao término do romance.

*Professor do Departamento de Letras/UNESC - Cacoal/RO
Departamento de Pedagogia/FAP-Pimenta Bueno/RO
Regente de Língua Latina, Língua Portuguesa e Filologia Românica
Especialista em língua Portuguesa, Psicopedagogia, Metodologia e Didática do Ensino Superior, Mestrando em Lingüística/Unir – Universidade Federal de Rondônia – Campus Guajará-Mirim/RO

voltar