Homenagem ao Castelo

Luiz Edmundo Alves  

Desde quando surgiu, Tanto tem como objetivo  promover o encontro entre escritor e leitor, divulgando boa literatura, sendo "morada" permanente de artigos, crítica, poesia e prosa. São seis anos, uns cinco mil leitores habituais e outros tantos novos, muitos se tornarão habituais. Novos escritores também.
Costumo dizer que Tanto é uma Nau, caracterizada pela  diversidade e qualidade. Como toda Nau, tem seus nautas, aqui denomidados  Tantonautas. Um importante tantonauta foi o escritor Carlos Alberto Castelo Branco, o Castelo, falecido recentemente. Radicado no Rio, nascido em Parnaíba, Piauí (1942), publicou os livros
"A máquina de pensar bonito contra o medo que o medo faz" . Editora Salamandra, Rio, 1986 ( Prêmio Instituto Nacional do Livro, Ministério da Educação) ; "O pai que virava bicho". Editora Lê, BH, 1986
(Prêmio Monteiro Lobato, da Academia Brasileira de Letras); "Essas abomináveis criaturas de Deus" Editora José Olympio, Rio, 1989 ( duas vezes finalista da Bienal Nestlé de Literatura). Tem contos publicados no Suplemento Literário Minas Gerais, no Jornal do Escritor e no Jornal de Letras. Em 2001 lançou Conexão Sardinha, Editora Nova Fonteira, dentro da coleção Primeira Página, que reúne obras inéditas escritas na melhor tradição literária da novela policial.Castelo construiu  importante obra e adquiriu  respeito entre escritores. Tinha imbatível senso de humor. Divulgava Tanto entre amigos e mandava e-mais com críticas e sugestões. Uma noite, já bem tarde, recebi um telefonema dele:
- Quem tá falando?
- Você quer falar com quem? respondi com voz   impaciente.
- Pooora! tu já tava dormindo, desculpa aí... Luiz Edmundo...

é da casa dele.
- É da casa dele, é ele sim, quer dizer sou eu...
Ouvi uma risada do outro lado.
- Aqui é o Castelo...
- Castelo...
- É. Carlos Alberto Castelo Branco. Enviei um conto pra tu ler, leu?
Aí acordei.
- Carlos! ... Castelo, que prazer, li seu conto. é muito bom, já até editei e será publicado mês que vem, ia mesmo lhe avisar...
- Que bom. E vc o que faz cara? nossa mas teu site é muito bom, você tem que continuar fazendo aquilo, do caralho, e merece todo meu apoio. Tô aqui bebendo um chope, este um agora que já é o quarto, ou será o quinto?  não sei ao certo...
E continuamos a conversar por um bom tempo, descobrimos amigos comuns, trocamos endereços e nasceu ali uma web-amizade, falamo-nos muitos vezes ao telefone, trocamos livros e dezenas de e-mais. Mas nunca nos encontramos pessoalmente, embora eu prometesse que um dia nos encontraríamos em  Cabo Frio, onde ele ia sempre.
Este mês Tanto homenageia um dos mais ilustres tantanoutas, colocando em  destaque   os textos dele aqui publicados.

Luiz Edmundo Alves é poeta e editor de Tanto, além de leitor habitual do Castelo.

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Reprodução
(1942-2004)