POEMA NECESSÁRIO / 4

 

 ALTINO CAIXETA,

UM POETA E BREVE NOTA, por Paschoal Motta

 

 

Hiléia Espuma 

 

teu corpo escorre sol quando nas ancas

o mar revém para rever axilas

um polvo estende mais de cem pupilas

há periscópios pelas praias brancas

 

arquipélago: me aconchego às ilhas

onde as marés te beijam e onde estancas

os vendavais: teus braços entre-lançam 

Sete lençóis de espumas: que são filhas

 

da mesma cama onde dormimos pérolas

onde teus pés se plantam se vegetas:

a terra se intumesce, digo, teus seios

 

são lábios de dizer muitas galáxias

teu leite derramado ao céu aberto

mas só teu corpo é pasto dos poetas.

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Um poeta, como um
leão, formoso

 

 

Altino Caixeta de Castro chorou de primeiro em Lagoa Formosa, nestas Minas Gerais, em 1916. Leu as ditas primeiras letras na Fazenda Campo da Onça, fonte de assunto para variados poemas; e o Ginasial em Patrocínio, também em Minas. Pegou o canudo em Farmácia e Bioquímica, estudando na Escola de Odontologia e Farmácia da Universidade de Minas Gerais. Orador da turma. Desde a juventude, se é que poeta envelhece, Altino foi redator de publicações escolares e de periódicos interioranos, em que também publicava suas lucubrações literárias. Em livro, o também chamado Leão de Formosa estampou poemas e escritos em prosa, nos primeiros passos no chão dos poemas na Antologia Luso-Brasileira, organizada por Wagner Ribeiro.

         Estudou Gramática Histórica da Língua Portuguesa com Cândido Martins de Oliveira; Latim, com Padre Lambert. Ainda estudou Português com o camonista Fonte-Bôa. Exerceu a profissão de farmacêutico em Patos de Minas e o mais no de ser e viver Poeta e Poesia.

         Contam que Altino Caixeta sempre se orgulhava de seu ineditismo, surgindo disso sua temática da vigília da escritura. Bem mais tarde seria enredado pela poética de vanguarda, em que melhor se realiza com o poema-práxis. Mais tarde, dizia que “atualmente convivo com todos os processos de penetrar o pathos do poema.”

         São seus principais livros de poemas: Cidadela da Rosa: Confissão da Flor, 1980, e Diário da Rosa Errância e Prosoemas, 1989. Antes de falecer, em 1995, Altino tinha preparado para publicação cerca de quinze livros, a maioria de poemas.

         O Suplemento Literário do Minas Gerais, editou um número especial, 1165, organizado por Maria Olívia e Paschoal Motta em 18 de maio de 1991:  Poeta Altino Caixeta de Castro – O Leão de Formosa. Esse número reúne artigos críticos, depoimentos, fotos e textos do Poeta.

Alto Altino, altas poetagens, poetices, altissonantes, altíssimas, íssimas alturas, que vôos de um leão, formoso no porte e nos urros.

 

Paschoal Motta, é poeta com diversos livros publicados, já foi

editor do Suplemento Literário de Minas Gerais

pmottaphrasis@ig.com.br

 

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