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Nicole Kidman em cena do filme Dogville

 

     Justificativa  Maiara Gouveia

 Depois que me apaixonei por Lars Von Trier, evidentemente, leio tudo o que me cai nas mãos sobre esse homem e sobre sua obra e percebo que entre o que se vê e o que se diz há uma discrepância intrigante: existem críticas que fogem totalmente do que pode ser apreendido nos filmes, que vão para lugares extremamente inusitados...quando consegui me desvencilhar do inconformismo e ser fria perante tanta tontice, notei que isso somente corrobora o caráter distintivo desse cineasta que provoca reações extraordiárias e mega-ordinárias rsrs nas pessoas. Pretendo escrever um texto mais bem cuidado e também cuidadoso a respeito dos filmes Dogville e Manderlay e sobre Washington, quando for lançado e eu puder assistir. É claro que é um pouco de pretensão, afinal, quero refutar comentários de seres que realmente entendem de cinema com ilações de uma mera representante de platéia com uma bagagem de mão. Por outro lado, sei que tenho a virtude de olhar com os olhos e não com 1 milhão de opiniões prévias e de sentir com entrega, totalmente presente, assim absorvo tudo o que posso e confio muito no que advém desse método de apreensão, sujeita a falhas contornáveis e sempre menos arrogante ao lembrar dos outros lados do cubo dentro do poliedro. Bem, segue um pouquinho dessas reflexões, induzidas pela estúpida necessidade de responder  críticas estapafúrdias à grande obra (úia que tom místico!), sinto a necessidade de falar muito ainda, desculpem essa "coisa viva" e aí vai uma parcela mínima dessa mórbida, de enorme, vitalidade:


E OS CÃES LADRAM AO SE OLHAR NO ESPELHO, POIS O INIMIGO É SEMPRE O OUTRO

Dogville é um filme contundente e ácido. Lars Von Trier conseguiu exatamente o que queria: sacudir as pessoas, fazê-las olhar para aquele universo pequenino concentrado em uma cidade fictícia (bem representada pelo cão, desenhado com giz), um universo minúsculo como a alma de muitos seres ditos humanos, mas que levam suas vidas como cães, unicamente preocupados com suas necessidades básicas e instintivas: sobreviver (para isso lutar com os dentes arreganhados e marcar território), sobreviver (para isso explorar o próximo,pois a sobrevivência só é garantida quando o outro é subjugado), sobreviver (ou seja, buscar prazeres imediatos que permitam suportar a vida) entre outros desdobramentos da vida animalesca daqueles que se engalfinham, que se movem dentro de sua estupidez e hipocrisia, etc, etc. Grace não é menos complexa, personifica a arrogância, mas também a limitação; personifica o poder, mas também a impotência; às vezes personifica a América, em outras a essência humana. A baixa iluminação, a escolha de um cenário parecido com as montagens para teatro de Brescht, tudo isso acentua o clima focado nas nuances de comportamento das personagens e intensidade do enredo que se desenrola de dentro para fora. No fim de tudo, gostar ou não gostar do filme é pessoal, mas respeitá-lo me parece fundamental.  Tenho certeza de que muitas pessoas, como eu, ficaram em silêncio algum tempo no final do filme e verão o silêncio ecoar de novo ao pensar nele, pois se trata de obra da mais pura genialidade.
Ass: Lars Von Tiete fundamentalista
 

Tática de persuasão II (poucos cansaram das velhas mensagens de sempre) para os interlocutores tipo B

...tipo orelha de best seller (funciona com os leitores da Veja):

Erotismo? Humor? Ironia refinada? Crítica explícita? Abordar preconceito, burrice, sensibilidade e dilemas humanos de forma única? Genialidade? A realização estética perfeita para cada discurso?  ( aí qualquer um deveria olhar desconfiado, para que tantas prateleiras, meu Deus!?!)Mas sim, respondo sim: Lars Von Trier, of course. The mega mago!


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Maiara Gouveia tem 22 anos e é estudante de  letras da USP.

maiaragouveia@gmail.com
http://maiaragouveia.blog.uol.com.br

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