sandra moreiraCALO E COICE DA
GERAÇÃO
OO

João Filho

Vós que entrais, já estais dentro.

Nomeamos para não nos perdermos, tanto. E dizer que a memória é inútil a esta altura do campeonato é duma estupidez sem largura. Então rotular é nossa sina. Que remete a massificação de tudo. Um lembrete para os que reclamam disso: O que é a Internet? Certo, o século XX foi? mais desgraçado que sublime. Porém, negar a técnica é impossível. Não é assim o vagar da humanidade? A espécie é um impasse e nada digo de novo. Não que não possa ser melhorada. Sou um otimista. Vai que... O tempo, esse da pseudopressa, atinge até lugares remotos. O homem da roça não é mais aquele lobatiano, quer dizer, sua miséria, ócio-libido agora é tecno, atrasada ou não. Toda essa delonga pra chegar cá: Nelson de Oliveira, num texto publicado no www.portalliteral.terra.com e em Rascunho, dezembro, 2004, (mas a que tenho em mãos é a Iararana, 10, idem); "depois da Geração 90", ele diz: "passo agora a rascunhar a Geração Zero Zero".

Num texto escrito há 02 ou 03 anos e agora publicado sem a minha consulta no www.patife.art.br, onde escrevi besteiras sobre a tal geração. Peço que perdoem (o plural majestático porque recebi alguns e-mails e scraps) esse amador e esqueçam o texto anterior. Comecemos. Da capo.

Cortes geracionais são comuns na Arte e na Ciência e é imprescindível para um observador faminto ou doidinho não fazê-los. Por serem tentadores é que são perigosos.

A tirada – nunca se publicou tanto e bem no Brasil como agora – não erra de todo. Apesar de muitos reclamarem das girinadas. As editoras pululam. A Web é o espaço. Não temos leitores. Lembro o Marçal Aquino em novembro de 2004 no Rumos Itaú Cultural de Literatura, dizer "são trezentos carinhas que lêem trezentos carinhas". É e não é. O país é um gigante desengonçado, anárquico no pior sentido, já disseram. Como abarcá-lo? "Para quem" como dizia A. Camus citado por Janer Cristaldo http://cristaldo.blogspot.com/ "fuma seu charuto na poltrona da história" é facílimo e cômodo fazer reduções (epa!). Se muitos reclamam (falo dos que sei e dos que não sei, todos reclamam) que hoje todo mundo escreve. O exagero não é de todo desmerecido. Só que você reparou como houve melhora nas nossas edições? Na "facilidade" da Net? Nas traduções, dos jovens críticos interessados e honestos, sou otimista. Cito um tradutor, poeta e prosador como o Paulo de Toledo http://paulodtoledo.blog.uol.com.br/ ou Rodrigo Petrônio, crítico, tradutor e poeta. Percebeu a chocadinha? Desimporta as cores do seu time caro (a). Ou mesmo se não gosta de time algum. A profusão de blogs. Reclame e me pergunte se blog é literatura, irmão... oremos. Citei os dois que a memória trouxe primeiro.

Como dar conta dos quatros cantos deste país? O poeta tem sempre a ambição do "todo" que ele mal fareja. O que se produz nos cafundós? Do centro ou lá na casa do caray? Não sabemos. Você, 3º pessoa, procura circular em várias hierarquias, sobedesce, prum-lado-e-pro-outro, texturas e cores, dentro-e-fora, desgasta-se até a metafísica. Ou não e fica no seu canto e dá uma banana pro mundo. Do que falávamos? Da G. OO. Reparou que os círculos são viciosos e remete a espirais no vácuo? Não digo da geração, digo do símbolo do século. O território virtual da Net se entrecruza pelo país, e o movimento dentro e fora dos estados e do país, bem ou mal, aumentou. Volume e qualidade. Continue a reclamar, caro(a), que esse país não deveria estar acontecendo, ia grafar nascituro.

A G. OO não é um "movimento"; se for, é pelo país todo. Não é "grupo". Se for, são vários e tão distorcidos entre si que nem sei. O que é a G. OO? É comível, pois a variabilidade é tanta que irá encontrar o do seu gosto. Seu tamanho. Fraldão ou calçolinha.

Tem matéria? Tem. Mas tem que provar na papila.

Espaçotempo? Ter tem. Só que uns trafegam pelo paleolítico, outros helênicos, ainda; outros nem datam, características mis, etc. Uns afinadinhos, outros vagalhões; há os losers totais, há o inverso disso. Há os solitários bichos-de-seda, que serão revistos na velhice (já!) da G. OO.

Há os carecas, os pançudos, os bombadinhos. A bio-geo humana espalhada pelos quatro cantos do Cagalhão, vulgo, país de merdinhas, é duma variedade que desnorteia. Cuidado, você é um G. OO e não sabe. Slogan: Eu sou G. G., quer ver?

  • Mas aí já não há corte geracional, rotular o todo? Generaliza.
  • O que tem haver os cabelos com a cueca? Não disse Euclides que o

Todo é maior do que a parte? Alguém tem que catar o lixo, alguém tem que mover o mundo, alguém tem que rir e apertar botões.

A G. OO não possui idade. Vezes enrugadinha, outras, pêssegos. Há os invertidos, os estressadinhos, masosadôs, beatos, hiper alguma fobia. Há os que só falografam em sânscrito. Há os referencias. Hás os muitos que se conhecem; a os que se conhecem e nunca se viram, ao vivo e as cores, digo.

A G. OO vai passar como tudo passa, disso não tenha dúvida. O que fica? É amor de prima.

A G. OO é desfronteiriça e demarcatória, é refinamento e podridão. É ratio e crença. É bacoxum e niposemítico, etc., e por aí vamos.

Mísseis, missivas e e-mails pra encarniçado@gmail.com Acaso interessar possa, peço paciência, pois estou sem micro fixo. Vou variando pela Soterópolis. Ou não.

 

João Filho: www.cabezamarginal.org/joaofilho/