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Guillaume Apollinaire (1880 - 1918) nasceu em Roma, Itália. Mas seria em Paris, França, que faria carreira como grande poeta e agitador cultural. Escreveu artigos, poemas, contos, romances eróticos e interessava-se bastante por pintura moderna. Em 1905 escreveu o artigo Picasso, Pintor. Em 1912 escreveu o catálago para a mostra de Delauney e em 1918 faria o mesmo para a mosta Picasso-Matisse. Engajou-se no Exército francês durante a 1ª Guerra mundial, sairia com um ferimento na têmpora direita, recuperando-se após duas cirurgias. Tornou-se um dos expoentes da vanguarda artística do início do século XX, defendeu e empresariou os pintores cubistas. Morreu em 1918, de gripe infecciosa em Paris. Dele Gertrude Stein escreveria em Autobiografia de Alice B. Toklas: "Apollinaire era muito atraente e interessantíssimo. A cabeça lembrava a dos últimos imperadores romanos. Extraordinárimante brilhante fosse qual fosse o assunto abordado, independente de estar bem informado ou não, imediatamente compreendia todo o sentido da questão e elaborava-a com espírito e imaginação, levando-a mais longe do que poderia ser pelos próprios entendedores do assunto e, por estranho que pareça, acertando".
Os textos abaixo foram traduzidos por Paulo Hecker Filho.

      

       A GRAVATA

      A             A
       G        T
          A  V
           DO
            LO
          ROSA
           QUE
          USAS
      E QUE TE
      ENFEITA
       Ó CIVILI
          ZADO
    TI       QUERES
     RA     RESPIRAR
     SE      DIREITO

 

GUI CANTA PARA LOU

Louzinha querida queria morrer num dia em que tivesses me amado

Queria ser bonito para que me amasses

Queria ser forte para que me amasses

Queria ser jovem jovem para que me amasses

Queria que a guerra começasse outra vez para que me amasses

Queria te agarrar para que me amasses

Queria te dar palmadas no traseiro para que me amasses

Queria te pisar para que me amasses

Queria que ficássemos sós num quarto de hotel em Grasse para
que me amasses

Queria que fosses minha irmã para eu te amar incestuosamente

Queria que fosses minha prima que nos amássemos desde criança

Queria que fosses o meu cavalo para eu te montar muito muito tempo

Queria que fosses meu coração para eu te sentir sempre em mim

Queria que fosses o paraíso ou o inferno de acordo com o lugar
onde eu vá

Queria que fosses um menino e eu o teu preceptor

Queria que fosses a noite para nos amarmos no escuro

Queria que fosses a minha vida para eu existir só por ti

Queria que fosses um obus boche para me matar de súbito amor

Poesia