POEMAS DE JIDDU SALDANHA

cinema

todos os filmes me fizeram sonhar
as mulheres da América
fumavam para mim
e eu as reinventava em minha aldeia

todos os filmes me fizeram sofrer
inclusive as comédias de Jerry Lew´s
a solidão dos porteiros e bilheteiras
as salas úmidas e escuras de projeção 

barulho de ratos na memória
luzes e lágrimas
masturbação melancólica
a íris gozava de tanta luz
e o genial vagabundo me desenhava
 

truques e trilhas me lambendo
o imaginário acordado em Fellini
o cinema recriou em mim a vida
fui um rato roedor de sonhos


 

HAICAIS

o vento lambe o rio
afaga a pele da menina  
musica de pincéis

  ***

o olhar pequeno  
vaga pela paisagem  
vozes se misturam  

***

com frases pequenas  
a menina duvida de tudo  
o vento passeia seus cabelos

***

tocando tecidos  
a pele ao vento  
parece indecisa

***

barcos no oceano  
pescadores ao fundo  
percorrem retinas

***

só a brisa do vento  
parece trabalhar  
o resto é preguiça

  ***

perdido no meio do mundo  
o sol procura o mistério  
para torná-lo mais quente

Jiddu Saldanha além de poeta é artista
multimídia que se destaca como mímico e produtor cultural jidduks@uol.com.br