Confeitaria Colombo:
l00 anos de charme
e bom atendimento
no centro do Rio

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Alessandro Motta Buzas 

  Reflexo vivo da belle époque do Rio de Janeiro antigo, a Confeitaria Colombo ( até hoje na rua Gonçalves Dias) foi fundada em l894 pelos portugueses Joaquim Borges de Meirelles e Manoel José   Lebrão. Tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio de Janeiro, a Colombo já   passou a  barreira do centenário, continuando com a mesma tradição desde a sua fundação.  O célebre slogan de Manoel José Lebrão, "o freguês sempre tem razão", permanece respeitado na   casa.Assim, o restaurante sempre dedicou carinho e atenção aos seus fregueses, oferecendo-lhes os bons  serviços de uma gastronomia internacional e bebidas finas para paladares especiais. Seu cardápio variado compõe-se de nobres pratos de aves, peixes e carnes, como o famoso "Tornedot Colombo". Para acompanhar o buffet, um leque de bebidas portuguesas, chilenas, francesas, italianas e espanholas hidratam os pratos tradicionais. 
Sofisticada decoração 
No salão principal da confeitaria, uma decoração rica em detalhes é mantida em perfeito estado
desde sua criação. Apesar de uma reforma recente, a decoração da Colombo ainda é art nouveau,
de l9l3.São quatro andares com três amplos salões decorados com oito espelhos bisotados, medindo
3 x 6 m de comprimento, todos emoldurados em jacarandá. Os espelhos foram trazidos da Bélgica,
em navio, cada um pesando uma tonelada e meia. As bancadas são em mármore italiano e o mobiliário é sofisticado.Cinco cristaleiras abrigam grande variedade de doces e tortas, além de louças do princípio  do século e taças de cristal bordadas a ouro. Coroando o teto, no quarto andar, uma clarabóia em  mosaicos coloridos banha todo o restaurante com luz natural. 

  Os frequentadores do hall principal, que usufruem das delícias gastronômicas da bancada central,
são brindados com canções, "chorinhos" e melodias da época da inauguração, interpretadas pelo
pianista Selton Madeira e sua "intelectual" gravata - borboleta. 

  Turistas de todos os cantos do mundo, velhinhos aposentados, senhores formais de terno e gravata,
senhoras elegantes da terceira idade e gente jovem formam o eclético time dos frequentadores da
Colombo. Eles podem ser encontrados desde o horário de abertura da casa, às 8,30 hs, até o seu
fechamento, às l9 h. Todos procuram a Colombo pela nostalgia ou pelo seu requintado ambiente
belle époque. 

Roda de intelectuais 
A Confeitaria Colombo é o perfeito ponto de encontro para uma variada gama de pessoas em seus
almoços, chás da tarde e jantares : políticos, jornalistas, artistas, literatos, senhoras da alta sociedade,
estudantes, curiosos, boêmios e turistas. Todos se integram no ambiente da confeitaria, que serve
também banquetes a visitantes ilustres, entre eles o rei Alberto da Bélgica, em l920, e a rainha
Elizabeth da Inglaterra, em l968. 

A roda mais famosa dos intelectuais que ali frequentaram é a de Olavo Bilac, fundador da Sociedade
dos Homens de Letras, em l9l4. O objetivo dessa sociedade era criar uma bandeira de luta pela
defesa dos "trabalhadores intelectuais" que não tinham uma remuneração adequada em jornais e
revistas. Na festa da Colombo, em l955, quando houve o centenário de nascimento de Olavo Bilac,
este foi homenageado com uma placa comemorativa na entrada da casa. O poeta era tão pontual
para os diários chás da cinco que os funcionários sempre acertavam os relógios da casa assim que
ele chegava. 

Bilac viajava muito e, sempre que retornava ao Brasil, havia festa na Colombo, com direito a "
quadrinhas comemorativas" dos padrinhos da roda. Nessa roda de literatos - poetas, jornalistas e
escritores - Bilac dava autógrafos a todo momento. 

Outro famoso frequentador era o poeta Emílio de Menezes, que chamava a Colombo de seu local
de trabalho. O poeta, às vezes, escrevia com lápis nas mesas de mármore e se beneficiava dos
favores do proprietário da época, pagando suas despesas com sonetos de propaganda para a
Colombo. Ele é também o autor do célebre "hino à dentada", em que chamou a Colombo de
"verdadeira sucursal da Academia", referindo-se à Academia Brasileira de Letras , e aos seus
escritores que ali frequentavam, entre eles Machado de Assis. 

Guimarães Passos, amante das bebidas, grande palestrante e poeta, era outro que frequentava
a roda de Olavo Bilac. Outros habitués eram José do Patrocínio, Oscar Lopes , Luis Murat,
Plácido Júnior, Pedro Rabelo, Carlos Manoel , padre Severiano e Lima Barreto. 

Da roda dos presidentes da República, destacam-se Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek
na história da Colombo. O primeiro, dizem, teria tramado a Revolução de 30 em um dos
salões de chá da casa. Esse tradicional chá das cinco era frequentado pelas famílias cariocas
de classe alta. As "cocottes", à noite, com seus coronéis, criavam um ambiente alegre e divertido. 

O clube Regatas do Flamengo possui uma mesa cativa na casa, há 54 anos, ficando conhecida
como a "conspiração política rubro-negra", razão pela qual seus integrantes foram apelidados
de "dragões negros", numa alusão às seitas chinesas. 

A partir da década de 30, a Colombo esteve presente nos famosos bailes de carnaval do Teatro
Municipal, inspirando marchinhas brejeiras. 

Começando como caixa na Colombo, em l974, hoje como mètre do salão, Paulo César
lembra-se com nostalgia dos convidados ilustres que ele serviu, como Bibi Ferreira, Grande
Otelo, Braguinha, Lamartine Babo, Paulo Autran, Virgínia Lane, Luis Antônio, Guilherme
Figueiredo e Barbosa Lima Sobrinho. 

As reformas 
A Colombo passou por algumas reformas durante sua existência. A primeira, em l899,
trouxe a também primeira instalação elétrica, móveis de madeira e as pinturas no estilo pompeano,
de Humberto Rizzoli. A segunda, em l900, instalou vitrines de cristal hermeticamente fechadas,
com seis metros de altura e montadas para exposição de doces e bebidas. Em l9l3, o estilo
dominante da belle époque carioca é introduzido na confeitaria. A reforma acontecida em
l922 abriu um novo espaço para a Colombo, ampliando ainda mais a tradição da casa. 

Ao longo de sua atividade, a Colombo esteve nas mãos de vários sócios. Os mais destacados,
seus fundadores, tomaram conta do estabelecimento até a década de 50. Depois, a posição
de controle da casa - entre os anos de l965 e l992 - vai para as mãos de uma sociedade
anônima pertencente a vários composições.} 

Em l992, o controle acionário da Colombo é transferido para a Arisco Produtos Alimentícios
Ltda, permanecendo até l999. Agora, o patrimônio da Colombo pertence a uma mesma família
de antigos acionistas da Arisco. O novo proprietário da confeitaria, Maurício de Assis
( e sua família) conta que está muito satisfeito com o investimento e confirma que a Colombo
nunca deixará de ser Colombo, nem mesmo transformar-se em super-mercado, conforme
boatos maldosos veiculados na imprensa. 

Hoje, na Colombo, existe um outro ritmo agitado de vida moderna. Este outrora grande centro
mundano e social alcança o status de ser e continuar para sempre uma das melhores atrações
turísticas na cidade do Rio de Janeiro. A Colombo é a encarnação do glamour e faz parte da
história do Rio e do Brasil. 

buzas1.gif (23494 bytes) Alessandro Motta Buzas 
Nasceu em São Paulo no ano de l974. Sua família mudou-se alguns anos depois para  Belo Horizonte, onde ele estudou até o pré-vestibular. Atualmente Alessandro Motta Buzas cursa jornalismo no Rio de Janeiro, onde também fez cursos de inglês e computação. 
Seus autores prediletos são Carlos Drummond  de Andrade, Fernando Gabeira e Zuenir Ventura. Seu avô materno, Francisco de Paula Motta,
foi secretário particular do Cardeal Vasconcellos Motta - de quem era sobrinho - nos anos 50, em São Paulo.

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